segunda-feira, 29 de agosto de 2016

O músculo da alma

Eu quero queimar
Em fogo ardente
E dissolver
Literalmente

Todo meu corpo
E minha mente
Pois já me sinto assim
Num desmembramento sem fim

Cada vez que penso
Naquilo de sempre
Meu músculo tenso
Que bate apertado

Todo amassado
Como papel velho
Dentro do peito
Chora em seu leito
E morre cada dia mais um pouco

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

No olhar de qualquer um

Dói 
Essa minha fama  
Todo esse drama 
De ser fora de si 

Cansa 
Essa minha trama  
De trilhos sem lama 
Que eu consigo afundar   

Enterrar 
Despedaçar  
Fazer nas águas tempestade
E agitar o mar 

 Simular
Que na verdade não me importo 
E assim dissimular  
Me acabar  

No choro e no riso  
Ficando sem piso   
Restando apenas 
O que esse poema oferece      

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Hoje não tem poesia.


      Hoje não tem poesia. Não tem poesia porque eu cansei de desabafar meu sofrer. Não tem poesia porque na verdade eu quero é muito falar, quero que as pessoas me entendam e não simplesmente achem lindo aquilo que foi construído da minha dor.  

      Hoje não tem poesia porque se passaram mil ideias na minha cabeça, de versos e histórias, mas nada saiu, nada brotou além de agonia. Não tem poesia porque saturei de palavras, e transbordei, finalmente, ficando tão tumultuada que não consegui nem organizar o que dizer. Porque eu quero gritar, quero chorar, e é tão forte que não cabe no papel.  
      Hoje não tem poesia porque o dia amanheceu estranho e eu nem sei descrever o que sinto. Sim, hoje é o dia, aquele em que eu pensei tanto que não consegui transcrever, que mergulhei em devaneios e só me afundei, não captei a superfície. Hoje é o dia fora do horário, sem roteiro e sem receio de dizer que não vai ter poesia. Afinal, é preciso um descanso pra entender que o que me cria é minha dor, e por mais que apreciada, nunca será entendida.  

terça-feira, 16 de agosto de 2016

As flores sempre morrem

Floriu meu jardim
Mas logo choveu
Despedaçaram-se pétalas
E o coração meu

As cores foram ao chão
E rastejaram aos boeiros
Foram minutos de beleza em vão
Foram-se os aromas e cheiros

Sorri
Por um segundo
Sofri
O fim do mundo

Meu coração
Fugiu com as flores
E minha alma
Tomou as dores

Afinal
Perdi meu jardim
E no final
Esqueci de mim

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

O infinito do teu corpo

Teus olhos denunciam
Toda imensidão do céu
E me fazem querer
De todo pecado ser réu

Eu não nego em dizer
Que contaria as estrelas do mundo
Se fosse pra te ter
Mesmo que mais um segundo

Chego a rir mais de uma vez
Do meu jeito nada cortês
Que demonstro sem querer
Quando me encontro ao teu ver

Solto um sorriso torto
E observo discretamente
O infinito do teu corpo
Contando secretamente
As estrelas do céu - da tua boca -

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Amar é cair em armadilha

De repente a saudade bateu
E assim meu coração doeu
Fazendo o medo de sempre
Como sempre surgir

Pela falta da tua companhia
Que me esbanja uma grande alegria
Me deixando segura
Dia após dia

De fato que não entendi
Qual foi o momento em que vi
Que teus braços convidam abraços
nos quais eu me perdi

E que com eles esqueço do sofrimento
Simplesmente fica tudo bem
Pois desde o pequeno começo
Eu me assumi tua eterna refém