terça-feira, 25 de outubro de 2016

fugi com as flores do jardim

Desculpa sumir
Ir embora assim
Precisei refletir
Fugir até de mim

A vida não é apenas
Rosas no jardim
Tem tijolos e de dilemas
Conflitos sem fim

Chuvas e maremotos
Com trovões escandalosos
Caminhos mais que tortos
E corações rancorosos

Mas meu amor,
tudo bem
Tudo que vai,
vem

Se não fosse o raio
e o trovão
Não houvesse monstros
no porão

As rosas não seriam tão bonitas
quando encontradas

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Pequenas misses

Que bonitinho o batom dela
Desde pequena lavando panela
Sonhando "como toda garota"
Ser uma futura donzela

Um dia vai crescer
O corpo desenvolver
E agora, qualquer coisa
Virou uma cadela

Mas calma, moça
Não se deixe cair
É difícil, eu sei
A doutrina não sucumbir

Desde pequena tratada assim
Tem que estar sempre linda
Cheirando a jasmim
Saber cozinhar e fazer chá de alecrim

É preciso ter coragem
Pra deletar a imagem
Que mulher boa
É só decoração e imagem

Fique linda sim
Mas que seja pra você
E grite bem alto
Pro mundo poder ver

Você é o que quiser ser
Recatada e do lar
É você que vai escolher
Afinal, moça
Você é seu proprio poder

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Sensações da noite

Dilataram-se pupilas
Junto a sons e visuais
Pelo sereno da noite
Em encontros casuais

Musica para os ouvidos
Cores para o olhar
Tecidos para o tato
Vinho ao paladar

Além da criatividade
Fértil imaginação
Exercitar a mente
Seria a sexta sensação

Mãe da criação
Sem nenhuma proibição
Pois em nós há outro mundo
Que ultrapassa a confissão

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Lucidez da insanidade

Sorriso bonito
Aquele que vi
De uma boca que brilha
Enquanto sorri

Junto a olhos tão intensos
Que revelam loucuras
De uma mente blindada
Por trás das armaduras

De uma alma agitada
Que transborda malícia
E emite sinais
Pedindo por mais

Daquele êxtase sem tamanho
Delírio que também me banho
E mantenho por perto
Por acreditar ser o certo

Da insanidade fazer
O caminho a seguir
Para finalmente poder
A lucidez fluir

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Mais que madrugadas

Drinks e festa
Brilhos na madrugada
O som manifesta
A fera guardada

Numa pessoa discreta
De alma selvagem
Olhar que afeta
E instiga coragem

Embala as horas
No seu quadril
Dança com a noite
Aquecendo o frio

Escondendo em si
Terras inexploradas
De mapa guardado
Para além das madrugadas

Contém a chave
Num sorriso malicioso
Mas além disso
Num coração ambicioso

Na sua mente
Labirinto de enigmas
E no seu corpo quente
Que recusa paradigmas

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

O (des)prazer de te conhecer

Eu assumo, foi tão triste
Ter te conhecido
O (des)prazer do meu tempo
Ter te concedido

Pois te dei calor
E abri meus braços
Mas tu fechou teus olhos
E negou meus abraços

Não sou brinquedo
Pra pegar quando quiser
Não te esperarei de novo
Porque sei quem bem me quer

Cansei do teu estranho tempo
De a louca parecer
Eu fiz tudo por respeito
E me senti desmerecer

Sei que irei sentir saudades
Mas olho em volta e não estou sozinha
Se tu não percebeu
Já te disse que estão na minha

domingo, 11 de setembro de 2016

Na companhia

Fecha os olhos
E dorme bem
Esquece tudo
Que não convém

As palavras rudes que falei
De que no teu peito eu chorei
Foi somente
Porque me importei

Mais do que devia
Mais do que queria
Pois no fundo eu sabia
Que não me calaria

Mesmo querendo
Ficar em silêncio
Mesmo sabendo
Que a palavra é uma arma

Tu me desarma
E eu nunca sei parar de sorrir
Eu nunca sei
Como agir

domingo, 4 de setembro de 2016

Mórbido

Acerta meu peito em cheio
Pra eu não atirar
Arranca o ódio que veio
Pra não ter que arriscar

Ver sangue derramar
O mundo se acabar
Ver o vinho da nascente
Então se envenenar

Acerta bem o coração
Pra eu não respirar
Abafa o grito que veio
Pra esse plano abandonar

Sem medo e com razão
Não se sinta culpado
Pois se não fosse corpo meu
Seria tu no chão deitado

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

O músculo da alma

Eu quero queimar
Em fogo ardente
E dissolver
Literalmente

Todo meu corpo
E minha mente
Pois já me sinto assim
Num desmembramento sem fim

Cada vez que penso
Naquilo de sempre
Meu músculo tenso
Que bate apertado

Todo amassado
Como papel velho
Dentro do peito
Chora em seu leito
E morre cada dia mais um pouco

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

No olhar de qualquer um

Dói 
Essa minha fama  
Todo esse drama 
De ser fora de si 

Cansa 
Essa minha trama  
De trilhos sem lama 
Que eu consigo afundar   

Enterrar 
Despedaçar  
Fazer nas águas tempestade
E agitar o mar 

 Simular
Que na verdade não me importo 
E assim dissimular  
Me acabar  

No choro e no riso  
Ficando sem piso   
Restando apenas 
O que esse poema oferece      

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Hoje não tem poesia.


      Hoje não tem poesia. Não tem poesia porque eu cansei de desabafar meu sofrer. Não tem poesia porque na verdade eu quero é muito falar, quero que as pessoas me entendam e não simplesmente achem lindo aquilo que foi construído da minha dor.  

      Hoje não tem poesia porque se passaram mil ideias na minha cabeça, de versos e histórias, mas nada saiu, nada brotou além de agonia. Não tem poesia porque saturei de palavras, e transbordei, finalmente, ficando tão tumultuada que não consegui nem organizar o que dizer. Porque eu quero gritar, quero chorar, e é tão forte que não cabe no papel.  
      Hoje não tem poesia porque o dia amanheceu estranho e eu nem sei descrever o que sinto. Sim, hoje é o dia, aquele em que eu pensei tanto que não consegui transcrever, que mergulhei em devaneios e só me afundei, não captei a superfície. Hoje é o dia fora do horário, sem roteiro e sem receio de dizer que não vai ter poesia. Afinal, é preciso um descanso pra entender que o que me cria é minha dor, e por mais que apreciada, nunca será entendida.  

terça-feira, 16 de agosto de 2016

As flores sempre morrem

Floriu meu jardim
Mas logo choveu
Despedaçaram-se pétalas
E o coração meu

As cores foram ao chão
E rastejaram aos boeiros
Foram minutos de beleza em vão
Foram-se os aromas e cheiros

Sorri
Por um segundo
Sofri
O fim do mundo

Meu coração
Fugiu com as flores
E minha alma
Tomou as dores

Afinal
Perdi meu jardim
E no final
Esqueci de mim

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

O infinito do teu corpo

Teus olhos denunciam
Toda imensidão do céu
E me fazem querer
De todo pecado ser réu

Eu não nego em dizer
Que contaria as estrelas do mundo
Se fosse pra te ter
Mesmo que mais um segundo

Chego a rir mais de uma vez
Do meu jeito nada cortês
Que demonstro sem querer
Quando me encontro ao teu ver

Solto um sorriso torto
E observo discretamente
O infinito do teu corpo
Contando secretamente
As estrelas do céu - da tua boca -

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Amar é cair em armadilha

De repente a saudade bateu
E assim meu coração doeu
Fazendo o medo de sempre
Como sempre surgir

Pela falta da tua companhia
Que me esbanja uma grande alegria
Me deixando segura
Dia após dia

De fato que não entendi
Qual foi o momento em que vi
Que teus braços convidam abraços
nos quais eu me perdi

E que com eles esqueço do sofrimento
Simplesmente fica tudo bem
Pois desde o pequeno começo
Eu me assumi tua eterna refém

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Reflexo ou caricatura?

Sombra de olhos negros Vermelho é seu vestir De silenciosa e mortal Maneira de agir Sussurra de voz doce Aproximando seu cantar Agindo como se não fosse Lentamente envenenar Tão perdido seu olhar Perverso e assustado Com a morte caminhando Juntamente ao seu lado Grita e silencia Transborda fantasia Com um lindo sorriso Imerso em agonia Tão anjo e tão demônio De pensar confuso e errôneo Exala a luz e a escuridão De um desesperado e imenso coração

quarta-feira, 20 de julho de 2016

O sol da tua pele

Eu não sei lidar
Com coisas que não sei ler
Mas teu grego qu me enfurece
Também me deseja saber

Se teu silêncio misterioso
Me torna ansiosa
Continuo como poeta
Envergonhada e curiosa

E não mais que sincera
Num segundo que me desespera
Sumo e apareço
Pagando meu preço

De aparentar fora do normal
De ser dona de um desejo carnal
Que além do Sol da tua pele
Quer sentir tua face animal

E tua lágrima de canto
Sei que é encanto
Que mesmo sem nunca ver
Consigo sentir o teu temer

segunda-feira, 20 de junho de 2016

O gritante segredo

Voa longe a mente
De um coração enjaulado
Sofre de alma quente
Mas de peito calado

Chora em silêncio
Sem um exato porque
Forte melancolia
Que fácil se vê

Denso e pesado
É o fardo carregado
Da convincente sensação
De nunca ser amado

E escorre dos olhos
A confusa água
De um sincero vazio
Que um sorriso apaga

terça-feira, 14 de junho de 2016

Inocência

Me desculpem todos os corações
Que quebrei por segundas intenções
É que vim sem manual
Muito menos instruções

Não quer dizer que não amei
Ou que carinho eu não tive
Mas de confusa me enterrei
E por proteção me detive

Pena ser tarde demais
Ou então nasci muito cedo
Mas no meu mundo é capaz
De poder sentir sem medo

E tolo é o que acredita
Em amor de um tipo só
Esse mal sabe quanto levita
Um coração que bate só

segunda-feira, 13 de junho de 2016

O que seria a rotina

Cigarros no frio
De um mundo vazio
Sem salvação
Das lutas em vão

Chora mais uma vez
Noutro verso feito
No papel e sua maciez
O sofrimento foi eleito

O mesmo tema
Noutro poema
Tédio e melancolia
Que uma cabeça cria

E o choro
Sempre quieto
Mas cheio de barulho
De um mundo incerto

segunda-feira, 6 de junho de 2016

O que o silêncio disse

       Olhava em silêncio, inquieta, com os olhos curiosos que transbordavam a vontade de saber o que se passava ali. Fazia como se estivesse prestando atenção, mas, quanto mais ele falava, mais sua atenção se voltava para a boca dele, para os braços chamativos que gesticulavam, juntos com as mãos grossas, grandes e firmes.  
       Tentava ficar séria, não queria transparecer nenhum tipo de tensão, embora suas reações fossem muito aparentes. As vezes apertava os dedos com força, que logo subiam para o braço começavam a arranha-lo discretamente, agoniada, nervosa, querendo, na verdade, cravar as unhas naqueles ombros largos que se moviam um pouco a sua frente, acompanhando aqueles braços, que acompanhavam aquelas mãos... O corpo todo, sincronizado, falando com clareza e naturalidade, com certeza dos argumentos. Era para ser como qualquer um, mas, por algum motivo possuía diferença. Um olhar sério, a barba mal feita. Tudo fazia o corpo dela se submeter a espasmos de agonia, desejos secretos disfarçados de ansiedade.  - Concordas? 
       Disse ele, coçando um pouco a baixo do queixo, próximo ao pescoço, mexendo os pelos da barba enquanto aguardava pela resposta. Ela respirou fundo, arregalando um pouco os olhos enquanto voltava dos seus devaneios e tentava resgatar flashs das ideias discutidas para formular uma resposta. Dentre alguns segundos relembrou o assunto da conversa: Filmes. Desencadeando uma sequencia de acontecimentos ocorridos durante os diálogos e enfim a pergunta: "concordas"?   
  - Sim. 
       Respondeu sorrindo timidamente, botando o cabelo atrás da orelha, olhando-o de baixo, com a cabeça um pouco curvada para o chão, mas, com seu olhar direto nos olhos dele.    
  - É mesmo? 
       Retrucou-a, rindo com ar de provocação, deixando a entender que percebera a distração, o nervosismo, e arrumou a blusa como querendo provocar mais uma vez. Era tudo uma incógnita, não existiam certezas, apenas sinais, muitas vezes ambíguos, outras, gritantes. A única certeza propriamente dita era o desejo, a paixão, isso sim certamente existia. Ela não conseguia entender, mal se falavam mas cada palavra era confortante. Tudo que era para ser tedioso e monótono tinha graça, e ela ria, tímida, enfeitiçada. Não era acostumada aquilo, gostar em silêncio, vibrar ao avistar um par de olhos, mesmo que castanhos e sonolentos. Mesmo que fossem tão comuns, eram tão bonitos.  
       Entristecia durante dia, mudava de humor algumas vezes, ria, chorava, sentia uma certa raiva por ele, por não poder toca-lo, vê-lo. Não que a vida fosse boa, e nem que o único motivo da tristeza fosse ele, mas, nada importava tanto diante disso. "Estou beirando a loucura", ela pensou, mas, o que seria o amor se não o mundo dos lunáticos?  

quinta-feira, 2 de junho de 2016

O mundo em utopia

Os barulhos da cidade
Com poder e capacidade
Transformam momentos
Em pura ansiedade

O despertar da necessidade
De viver e ter coragem
Respirar a alma selvagem
E fugir das pedras cruas

Afastar-se das mentes nuas
Que nada tem a oferecer
Além de um grande desprazer
Da castração do desejo
De querer viver

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Timidez sincera

Dos meu olhos escapam admiração
E do sorriso me escorrega uma emoção
Em cinco minutos paro então
Por bater o coração

Teu sorriso me encanta
E tua voz me envolve
De uma tarde banal
Uma vontade desenvolve

Com sinceridade pura
Mesmo de alma insegura
Gostar de contigo estar 

Sem notar o tempo passar 

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Reflexo

Se cala por medo
Pensando em segredo
Num mar de receio
Escrava do devaneio

De achar e sentir
Que da vida desistir
É o caminho a seguir
Cansada de ir e vir

Se proibir de agir
Amedrontada ao interagir
Chora por todo dia ter
Que no reflexo do espelho ver

Uma grande distorção
Ser obrigada a conviver
Com os traços da alma
E da sua feição