Voa longe a mente
De um coração enjaulado
Sofre de alma quente
Mas de peito calado
Chora em silêncio
Sem um exato porque
Forte melancolia
Que fácil se vê
Denso e pesado
É o fardo carregado
Da convincente sensação
De nunca ser amado
E escorre dos olhos
A confusa água
De um sincero vazio
Que um sorriso apaga
segunda-feira, 20 de junho de 2016
terça-feira, 14 de junho de 2016
Inocência
Me desculpem todos os corações
Que quebrei por segundas intenções
É que vim sem manual
Muito menos instruções
Não quer dizer que não amei
Ou que carinho eu não tive
Mas de confusa me enterrei
E por proteção me detive
Pena ser tarde demais
Ou então nasci muito cedo
Mas no meu mundo é capaz
De poder sentir sem medo
E tolo é o que acredita
Em amor de um tipo só
Esse mal sabe quanto levita
Um coração que bate só
Que quebrei por segundas intenções
É que vim sem manual
Muito menos instruções
Não quer dizer que não amei
Ou que carinho eu não tive
Mas de confusa me enterrei
E por proteção me detive
Pena ser tarde demais
Ou então nasci muito cedo
Mas no meu mundo é capaz
De poder sentir sem medo
E tolo é o que acredita
Em amor de um tipo só
Esse mal sabe quanto levita
Um coração que bate só
segunda-feira, 13 de junho de 2016
O que seria a rotina
Cigarros no frio
De um mundo vazio
Sem salvação
Das lutas em vão
Chora mais uma vez
Noutro verso feito
No papel e sua maciez
O sofrimento foi eleito
O mesmo tema
Noutro poema
Tédio e melancolia
Que uma cabeça cria
E o choro
Sempre quieto
Mas cheio de barulho
De um mundo incerto
De um mundo vazio
Sem salvação
Das lutas em vão
Chora mais uma vez
Noutro verso feito
No papel e sua maciez
O sofrimento foi eleito
O mesmo tema
Noutro poema
Tédio e melancolia
Que uma cabeça cria
E o choro
Sempre quieto
Mas cheio de barulho
De um mundo incerto
segunda-feira, 6 de junho de 2016
O que o silêncio disse
Olhava em silêncio, inquieta, com os olhos curiosos que transbordavam a vontade de saber o que se passava ali. Fazia como se estivesse prestando atenção, mas, quanto mais ele falava, mais sua atenção se voltava para a boca dele, para os braços chamativos que gesticulavam, juntos com as mãos grossas, grandes e firmes.
Tentava ficar séria, não queria transparecer nenhum tipo de tensão, embora suas reações fossem muito aparentes. As vezes apertava os dedos com força, que logo subiam para o braço começavam a arranha-lo discretamente, agoniada, nervosa, querendo, na verdade, cravar as unhas naqueles ombros largos que se moviam um pouco a sua frente, acompanhando aqueles braços, que acompanhavam aquelas mãos... O corpo todo, sincronizado, falando com clareza e naturalidade, com certeza dos argumentos. Era para ser como qualquer um, mas, por algum motivo possuía diferença. Um olhar sério, a barba mal feita. Tudo fazia o corpo dela se submeter a espasmos de agonia, desejos secretos disfarçados de ansiedade. - Concordas?
Disse ele, coçando um pouco a baixo do queixo, próximo ao pescoço, mexendo os pelos da barba enquanto aguardava pela resposta. Ela respirou fundo, arregalando um pouco os olhos enquanto voltava dos seus devaneios e tentava resgatar flashs das ideias discutidas para formular uma resposta. Dentre alguns segundos relembrou o assunto da conversa: Filmes. Desencadeando uma sequencia de acontecimentos ocorridos durante os diálogos e enfim a pergunta: "concordas"?
- Sim.
- Sim.
Respondeu sorrindo timidamente, botando o cabelo atrás da orelha, olhando-o de baixo, com a cabeça um pouco curvada para o chão, mas, com seu olhar direto nos olhos dele.
- É mesmo?
- É mesmo?
Retrucou-a, rindo com ar de provocação, deixando a entender que percebera a distração, o nervosismo, e arrumou a blusa como querendo provocar mais uma vez. Era tudo uma incógnita, não existiam certezas, apenas sinais, muitas vezes ambíguos, outras, gritantes. A única certeza propriamente dita era o desejo, a paixão, isso sim certamente existia. Ela não conseguia entender, mal se falavam mas cada palavra era confortante. Tudo que era para ser tedioso e monótono tinha graça, e ela ria, tímida, enfeitiçada. Não era acostumada aquilo, gostar em silêncio, vibrar ao avistar um par de olhos, mesmo que castanhos e sonolentos. Mesmo que fossem tão comuns, eram tão bonitos.
Entristecia durante dia, mudava de humor algumas vezes, ria, chorava, sentia uma certa raiva por ele, por não poder toca-lo, vê-lo. Não que a vida fosse boa, e nem que o único motivo da tristeza fosse ele, mas, nada importava tanto diante disso. "Estou beirando a loucura", ela pensou, mas, o que seria o amor se não o mundo dos lunáticos?
quinta-feira, 2 de junho de 2016
O mundo em utopia
Os barulhos da cidade
Com poder e capacidade
Transformam momentos
Em pura ansiedade
O despertar da necessidade
De viver e ter coragem
Respirar a alma selvagem
E fugir das pedras cruas
Afastar-se das mentes nuas
Que nada tem a oferecer
Além de um grande desprazer
Da castração do desejo
De querer viver
Com poder e capacidade
Transformam momentos
Em pura ansiedade
O despertar da necessidade
De viver e ter coragem
Respirar a alma selvagem
E fugir das pedras cruas
Afastar-se das mentes nuas
Que nada tem a oferecer
Além de um grande desprazer
Da castração do desejo
De querer viver
quarta-feira, 1 de junho de 2016
Timidez sincera
Dos meu olhos
escapam admiração
E do sorriso me
escorrega uma emoção
Em cinco minutos
paro então
Por bater o coração
Teu sorriso me
encanta
E tua voz me envolve
De uma tarde banal
Uma vontade
desenvolve
Com sinceridade
pura
Mesmo de alma insegura
Gostar de contigo
estar
Sem notar o tempo
passar
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